sábado, 15 de dezembro de 2012

Teatral

Um andar de passos pequenos e lentos;
pensamentos distantes e olhares atentos;
o sangue ferve, as perguntas se fazem;
as respostas se calam;
diante dos meus olhos eu vejo o espaço;
a história, o mundo, a estória, o tempo, passado, presente e futuro;
o vento sopra de contra a direção do meu andar;
poucos segundos se tornam horas, horas se tornam segundos;
pensamentos, recordações e desejos se tornam rastros obscuros.

Olhos abertos, tudo parece tão lento;
a pessoa ao telefone, uma mãe com o seu filho;
o homem em trabalho, o cara aparentemente bem sucedido;
a pessoa solitária em seu carro do ano com 5 lugares;
outra correndo por seu compromisso sem vida;
rostos sem feições, vidas em fugas, assombrações assolando aos arredores;
a senhora com rugas demonstrando a velhice, o sorriso em sua face me inspira;
um sorriso é vida em meio a tantas vidas cheias de mortes;
não vejo salvação, apenas a escravidão, apenas promessa sem convicção;
não, não deite-se com essa inflamação que te ama, que te adora, que te devora;
mas que, depois de uma noite intensa ela simplesmente vai embora;
ela envenena com o falso beijo, com os falsos abraços, com a falsa atitude;
ela não possui coração, é uma alma sem salvação.

Outdoors, imagens para todo lado, propagandas, luzes chamam a atenção;
coisas fúteis ao seu redor, tudo parece tão banal;
parece que estão todos felizes, que felicidade estranha;
parece que falta algo; não são sorrisos verdadeiros, parece tudo falso;
todos parecem ser tão bons atores, mas por que atuam sobre suas vidas ? 
será que com tais objetos podemos ser tão felizes como eles procuram demonstrar ?
Parecem moribundos em um mundo degradê.

Com olhos abertos eu vejo tudo, vejo a vida, a morte e a sentença;
com olhos abertos eu enxergo a escuridão e a maldita desavença;
com passos lentos eu sigo meu caminho, caminho sem direção;
sigo em frente com olhares atentos ao nada;
procurando no mais íntimo do meu ser, um pouco, talvez uma fração de ação.

Vasculho memórias, pessoas, objetos, e até as bizarras criações de uma mente confusa;
procurando o que eu já não lembro mais;
como um vigia eu sigo, tentando encontrar o esquecido;
pensar é o meu câncer, me indaga, me induz, me imunda.
queria saber mais, sobre os demais;
mas os meus passos lentos já não são tão lentos assim;
de passo em passo eu cheguei em meu destino,
nesse meio tempo eu abracei e aceitei o horror;
no final eu abri meus olhos, e eis que ela me esperava;
de abraços abertos ela me convidou, com um belo sorriso ele se foi... 
sumiu na vastidão do nada...
aquele sorriso, foi o seu último sorriso.

Talvez o primeiro e último sorriso verdadeiro. 
A realidade o abraçou, o amou, ensinou desejos e vontades vazias, 
fez pó com os seus sonhos, migalhas com a sua esperança de um mundo melhor;
o desfez parte por parte, o transformou em um boneco de trabalho; 
um boneco sem articulações;
o rotulou como um grande condutor do mundo moderno.
Se ele sente algo, é apenas o orgulho que o dominou e o calou;
após o caloroso abraço, ele se foi, e nunca mais voltou.

Ele morreu, mas continuou a viver.











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