terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Viagem Astral

Vejo o céu através dessa janela, vejo as nuvens, vejo os desenhos que as vezes elas se formam, vemos o que queremos ver. Vejo através dessa janela a chuva, que com calmaria refresca qualquer alma, mas com força e raiva apavora qualquer ser vivente. Vejo através dessa janela o sol, odiado e amado por muitos, exibindo o seu espetáculo de beleza ao nascer e morrer no horizonte. Vejo a noite através dessa janela, trazendo com ela a lua, o medo da escuridão e a vontade de viver além dos nossos sonhos. Vejo através dessa janela o tempo passar, dias após dia. Vejo o silêncio que domina a minha pessoa quando em fração de segundos me pego amando com o olhar esse céu, vasto como és, igual para todos, admirado por poucos. Não vejo, mas sinto também o vento, que de todas as direções ele vai e vem, trazendo em si lembranças de pessoas que deixam saudades, de norte a sul, leste e oeste ele vaga, esbanjando liberdade. Vejo tantas coisas através dessa janela, vejo o que a minha mente quer que eu veja, já não sei dizer mas queria eu ver além, além disso tudo, além das estrelas, do mar e das montanhas. Eu não vejo mais do que é preciso, mas imagino. Oh céus que vejo através da minha janela, és belo, admirável e odiado, poderia eu gastar a minha vida toda o observando, ainda sim seria pouco. Quando és cinzento me inspira, quando és azul me anima mas quando estás negro durante o dia me assusta. Uma companhia além do surreal, nos acompanha aonde quer que vamos, companhia fiel e leal, companhia que no silêncio nos observa também, nos segue desde o nascimento até os últimos dias de vida. Vejo através dessa janela o céu, um pedaço do infinito, nessa visão vejo também um pedaço do meu íntimo, um tanto estranho.. Vejo o céu seguindo o seu destino de estar sempre sobre nós, o mais velho dos velhos. Vejo um pedaço desse céu através dessa janela estreita, vejo o tempo passar, mas não o vejo mudar, vejo e revejo mas anseio o dia em que não o verei mais.. no vácuo do estreito espaço eu espero me deitar, sobre o céus dormir e não mais acordar, deixar tudo para trás e não mais acordar.. não mais. Perdido entre o tempo um dia talvez eu possa sentir saudades dessa vida, das pessoas, dos sentimentos, dos amores, do nada que eu carregava e do céu que eu tanto observava.. talvez um dia eu sentirei saudades, um dia talvez.


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